Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
O post de hoje foge um pouco ao regular do Escada acima que, até agora, tem funcionado na base do que é pessoal. No entanto, não posso deixar de tornar pública a minha revolta em relação ao que se passa ao meu redor e que é, ainda que muitos pensem que não, um problema de todos.
No sábado, na hora do almoço, assistia ao Jornal da Tarde, na RTP1, e, a dada altura, falou-se nos cortes no ensino especial. Ora, esta medida está contemplada no Orçamento do Estado para 2014, onde as verbas para a Educação Especial sofrem um corte dramático (mais de 17 milhões de euros).
Portugal desenvolve, há mais de 40 anos, uma política que favorece a educação dos alunos com necessidade educativas especiais nas escolas regulares, passando as antigas escolas de educação especial a constituir centros de recursos que apoiam as escolas regulares na educação de alunos com dificuldades. Esta política de inclusão não é uma despesa suplementar à educação nas escolas especiais, mas sim uma alteranativa, ou seja, o que se gasta no apoio à inclusão destes anos no ensino regular é uma transferência de encargos que antes estavam nas escolas especiais.
David Rodrigues, aqui, diz (e muito bem!) que o apoio a estes alunos não pode ser só mais atenção, mais aulas, mais apoio e sim melhor apoio, melhor atenção e melhores aulas, sendo, para isso, necessário que haja nas escolas professores especializados, apoiados e habituados a lidar com situações de dificuldades na aprendizagem, exigindo mão-de-obra preparada e não de conveniência.
Por ser algo recorrente, sabemos que cortes representam exatamente o contrário: menos atenção e menos aulas, menos qualidade de ambas, menos professores nas escolas. No futuro, adultos menos preparados para (sobre)viver, menos incluídos numa sociedade que permanece parada face ao que vê à sua volta, preferindo as vistas para o seu umbigo.
Estamos a cortar um dos pilares que segura a sociedade. Então, por que é que somos aqueles que (tentam) mexer nas consequências ao invés de atuar na origem dos problemas?